No futebol brasileiro, os torneios eliminatórios costumam se chamar de mata-mata. Mas, por mais contraditório que isso possa soar, essas competições nem sempre são sobre “matar” ou não o seu adversário. Muitas vezes, o que importa é se manter vivo.
O Palmeiras de Abel Ferreira sabe muito bem o que é isso. O seu lema “cabeça fria, coração quente” ajuda a explicar um time que, de um jeito ou de outro, sempre arruma um caminho para se manter vivo, especialmente na CONMEBOL LIbertadores.
Foi assim mais uma vez nesta quarta-feira (21), quando o Verdão perdeu para o Fluminense, foi aos pênaltis e arrancou, da marca da cal, a classificação para a sua quarta final de Libertadores em sete anos; a oitava de sua história. O título do torneio vale vaga na Copa Intercontinental da FIFA 2026™ e no Mundial de Clubes da FIFA 2029™.
“Normalizamos algo muito difícil: chegar na final da Libertadores”, frisou Abel, que foi campeão do torneio nas primeiras duas edições que participou, em 2020 e 2021.
“Pensei que, depois de ganhar a primeira, seria mais feliz, e é exatamente o contrário, tudo cada vez mais pesado, como se tivesse obrigação de ganhar, como se o Palmeiras tivesse obrigação de ganhar. Não, a obrigação é de dar o melhor.”
Após vencer o jogo de ida por 2 a 1 no Maracanã, o Palmeiras recebeu o Flu no Nubank Parque, em São Paulo, podendo até empatar para chegar à decisão. Precisando do resultado, os tricolores saíram mais ao ataque e deixaram os mandantes um pouco mais acuados. Uma posição que até poderia ser desconfortável para a maioria dos times, mas na qual esse Palmeiras sabe operar bem.
Havia sido assim na ida, quando contra-ataques concluídos por Flaco López e Marlon Freitas construíram o resultado.
Sem grandes oportunidades para ambos os lados, o placar se manteve inalterado quase até o fim do jogo. Aos 37 minutos da segunda etapa, o jovem Wesley Natã (que fez o gol do Fluminense na ida) fez uma grande jogada e a tocou para Hércules, que chutou firme para estufar a rede: 1 a 0 para os visitantes.
A igualdade no agregado colocou o Palmeiras contra as cordas. O Verdão já não tinha Flaco López, o seu melhor jogador no ano, em campo, e precisava encontrar soluções para achar o gol da classificação. Se não fosse o caso, que pelo menos levasse aos pênaltis. Sobreviver até lá.
Na marca da cal, Maurício, Gustavo Gómez, Joaquín Piquerez, Ramón Sosa e Marlon Freitas converteram suas cobranças. Thiago Silva, Hércules e Guilherme Arana também fizeram seus pênaltis, mas o chute de Nonato foi defendido por Carlos Miguel.
Essa é a segunda fase consecutiva da Libertadores em que o goleiro classifica o Verdão em uma disputa por pênaltis. Contra a LDU, nas quartas de final, ele defendeu duas cobranças.
“Não conto para ninguém [minha estratégia]. Só tenho a agradecer. Conseguimos bater os pênaltis da melhor forma possível. Se não fosse por eles, eu não teria defendido. Quando chegou a minha vez, consegui fazer a defesa”, afirmou o goleiro.
No mata-mata, os fins costumam justificar os meios. Nem sempre é fácil ou bonito, como certamente não foi para o Palmeiras nesta quarta-feira, mas avança quem consegue resistir até o final. Ou até a final. Na decisão, os comandados de Abel esperam por Estudiantes de La Plata ou Flamengo, que foi o adversário nas decisões de 2021 (Palmeiras campeão) e 2025 (vice).
“Queria estar na final, era nosso grande objetivo, e, quando chegar nesta final, vamos prepará-la. Não escolhemos adversário, finais são sempre difíceis e se jogam para se ganhar”, lembrou Abel.
A final será no Estádio Centenário, em Montevidéu, em 28 de novembro, e o primeiro classificado já está definido. No mata-mata da Libertadores, o Palmeiras sobreviveu para lutar mais um dia.


