O governo iraniano afirmou neste sábado (28) que os ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por décadas e inimigo implacável de Israel e dos Estados Unidos.
O presidente Trump havia anunciado a morte do líder supremo horas antes e conclamado os iranianos a assumirem o controle do governo. Inicialmente, autoridades iranianas descartaram as alegações de morte do aiatolá Khamenei como bravatas ou guerra psicológica. Mas na manhã de domingo (1), em Teerã, enquanto a guerra entrava em seu segundo dia com mais uma onda de ataques contra o país, a agência de notícias estatal iraniana confirmou sua morte.
Sua morte representa uma mudança política sísmica que aumenta a possibilidade de caos e um vácuo de poder em uma região já turbulenta.
Em retaliação aos ataques, o Irã disparou ondas de mísseis balísticos contra Israel, onde as autoridades relataram uma morte. Os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Bahrein e o Kuwait — todos com bases militares americanas — afirmaram ter sido atacados, assim como a Jordânia. Detritos de um ataque com míssil balístico iraniano mataram pelo menos uma pessoa nos Emirados, segundo o governo local.
Os combates praticamente paralisaram a navegação pelo Estreito de Ormuz, via de escoamento de um quinto do suprimento mundial de petróleo, de acordo com empresas de navegação e a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim. Os principais aeroportos, incluindo o Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e um amplo corredor do espaço aéreo foram fechados.
Analistas alertaram que os combates podem potencialmente arrastar os Estados Unidos para um conflito prolongado sem uma saída clara. A liderança iraniana controla extensas capacidades militares e uma rede de forças regionais aliadas que poderiam ajudar a sustentar uma resistência.
Nas horas que antecederam o anúncio, grandes multidões de iranianos tomaram as ruas de Teerã e de outras cidades do Irã para comemorar a declaração do Sr. Trump. Outros lamentaram as notícias de sua morte nas redes sociais.
Não ficou imediatamente claro se foram os ataques americanos ou israelenses que mataram o líder supremo, ou quem estava agora no comando do Irã.
Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deixaram claro que a mudança de regime era um objetivo da enorme onda de ataques ao Irã que começou por volta da 1h da manhã, horário local, no sábado. “Quando terminarmos, assumam o governo”, disse Trump ao povo iraniano em uma declaração em vídeo. “Ele será de vocês.”
Não está claro se a remoção do aiatolá Khamenei, de 86 anos, resultará em mudanças significativas no sistema que ele liderava. Muitas pessoas em posições de autoridade deviam seus cargos a ele, e a Guarda Revolucionária Islâmica — uma instituição poderosa que responde ao líder supremo — demonstrou recentemente seu domínio sobre o país ao reprimir brutalmente protestos em massa, matando milhares de pessoas.
Muitos líderes mundiais pediram moderação após o ataque de sábado, embora o Canadá e a Austrália tenham apoiado a ação americana.
Mas os bombardeios continuaram na manhã de domingo, segundo relatos de iranianos nas redes sociais sobre novas explosões. O Sr. Trump alertou que os ataques dos EUA “continuarão, ininterruptos, durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para atingirmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”
Os efeitos dos ataques sobre civis iranianos não ficaram imediatamente claros. A HRANA, uma organização iraniana de direitos humanos com sede em Washington, afirmou no final da noite de sábado que pelo menos 133 civis foram mortos e outros 200 ficaram feridos – números que não puderam ser confirmados de forma independente. A mídia estatal iraniana noticiou que dezenas de crianças foram mortas em uma escola primária feminina perto de uma base naval. Os militares dos EUA e de Israel não se pronunciaram imediatamente.


