Messi: “Daria tudo para jogar a vida inteira pela Argentina”

Craque jogou sua última partida com a camisa da seleção e marcou um gol e deu duas assistências na vitória por 3 a 0 sobre o Benim.

Por: Correio Nogueirense
07/10/2026

Foi difícil para ele cantar o hino. Mal conseguiu. Abraçado a seus três filhos, Thiago, Mateo e Ciro, sentia o aperto na garganta e a visão embaçar com os olhos marejados. Era como se a ficha despencasse para o momento que havia finalmente chegado: depois de mais de 200 jogos e duas décadas, Lionel Messi cantou pela última vez o hino da Argentina com a camisa da seleção.

O Estádio Monumental estava abarrotado para o amistoso com o Benim. No gramado, havia uma camiseta gigante com o número 10 e um “gracias (obrigado)” escrito. Na arquibancada, a multidão se dividia entre a tristeza do adeus e a alegria de poder ver o grande ídolo uma vez mais. Antes do apito inicial, Messi deu um abraço apertado em cada um de seus companheiros. Logo após, soltou uma frase que atingiu como uma flecha o coração dos argentinos.

“Não vir aqui mais será uma dor muito grande. Eu juro a vocês que daria a vida inteira para jogar pela Argentina. É a coisa mais linda que pode acontecer.”

Messi jogou a partida como Messi: com vontade de ganhar, dedicando-se para que cada jogada desse certo, tentando fazer de cada participação uma memória única para os torcedores. Mas o ambiente, o contexto, tudo parecia pesado demais para ele assimilar em tempo real.

Aos 10 minutos do primeiro tempo, o jogo parou para uma pequena homenagem com fogos de artifício. Houve aplausos e gestos de carinho, incluindo dos rivais. Mas ele, mesmo erguendo os braços para agradecer, parecia mais preocupado em continuar a partida.

Nos primeiros minutos de jogo, Messi parecia precisar de algumas jogadas para sentir melhor o clima da partida, deixar a poeira baixar e conseguir mostrar o futebol pelo qual sua história ficou tão imaculada na Argentina. No pano de fundo para este jogo, afinal, estava a decisão de se aposentar, anunciada em uma publicação nas redes sociais em 31 de agosto, e uma confissão de se sentir “vazio”, especialmente após a morte de seu pai, Jorge.

Tirando Ángel Di María, aposentado da seleção, e Nahuel Molina, machucado, Scaloni levou a campo praticamente o mesmo time que derrotou a França na Copa do Mundo de 2022. Aos 39 anos, em seu adeus definitivo, Messi mostrou um pouco de sua galeria de obras no futebol. Controles perfeitos, arranques imprevisíveis, uma esquerda privilegiada na bola parada. E o gol, de pênalti.

O Benim foi competitivo no primeiro tempo, mas não sustentou a pressão argentina depois do intervalo. Otamendi, que também se despediu oficialmente da seleção, marcou em uma cobrança de escanteio de Messi. Pouco depois, em uma sequência que pode se tornar simbólica daqui a alguns anos, o passe de Messi encontrou Nico Paz. De canhoto para canhoto, uma linguagem idêntica com os pés. 2 a 0.

“É difícil dizer algo hoje, há muitas emoções, muitas coisas, obviamente eu lembro do meu pai. Não resta nada além de agradecer. Foram mais de 20 anos, nunca deixei de lutar, de batalhar e dar o máximo sempre”, disse Messi. “O último Mundial já foi demais, tudo que pude viver. Tivemos o sonho de voltar a ser campeões do mundo, estivemos muito perto. O jogo contra a Inglaterra foi um desgaste enorme para nós.”

Messi ainda tomou alguns minutos para agradecer aos torcedores: “Pude jogar por todos os lados na Argentina e sou um agradecido por tudo que pude viver. Os torcedores sempre estiveram em todos os lados, com os estádios cheios. Sempre somos mandantes em qualquer estádio e sou muito grato por isso.”

Aos 39 anos, Messi se despede como goleador máximo da seleção da Argentina, com 126 gols, e tendo capitaneado o time nos títulos da CONMEBOL Copa América 2021 e 2024, da Finalíssima 2022 e Copa do Mundo da FIFA 2022. Ele ainda foi vice-campeão mundial com a Argentina no Brasil em 2014 e na América do Norte em 2026.

A festa pós-jogo pareceu não ter fim, com uma coreografia de drones e músicos que homenagearam o capitão. Apesar do frio e do tardar da noite, quase ninguém deixou as arquibancadas do Monumental de Núñez. Como se não quisessem que terminasse, como se fosse uma última chance de evitar um adeus tão feliz quanto doloroso.

E foi desse jeito que ele se sentiu em suas últimas palavras: “Não quero sair do campo. Só posso dizer que amo vocês, vou sentir saudade, sou grato a Deus por ser argentino. Amo vocês.”

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