Pastora Juliana Toniolo relata momentos de tensão ao ser abordada por suspeito de feminicídio

Juliana conta que Anderson Sousa Andrade Ramos pulou o portão armado, apontou a arma para ela e exigiu que dirigisse o carro; chegada dos policiais permitiu que ela escapasse para dentro de casa.

Por: Correio Nogueirense
09/09/2026

“Foi um grande livramento.” É assim que a pastora Juliana Toniolo descreve os momentos de tensão que viveu após ser surpreendida por Anderson Sousa Andrade Ramos, de 42 anos, apontado como principal suspeito da morte da ex-companheira, Talita Ramos Andrade, de 32 anos, em Artur Nogueira.

O episódio aconteceu na tarde desta segunda-feira (7), pouco depois do sepultamento de Talita. Juliana contou ao Correio Nogueirense que havia acabado de retornar do velório e passou em um mercado para fazer algumas compras.

Na volta para casa, ela entrou com o carro pelo portão da propriedade e acionou o controle para fechá-lo. Foi nesse momento que percebeu a chegada de Anderson. “A hora que eu vi que ele chegou, eu levei aquele susto. Só falei: ‘Oi, Ney. Tudo bem?’. Aí ele já pulou com a arma”, relatou.

Segundo Juliana, Anderson pulou o portão armado e se aproximou, apontando a arma em sua direção. Ele teria exigido que ela abrisse o carro e dirigisse para ele. “Veio apontando a arma para mim, pedindo para eu abrir o carro e dirigir para ele”, contou.

Durante a abordagem, Anderson repetia que estava sendo perseguido e que seria morto. “Ele dizia o tempo todo: ‘Olha, eles vão me matar, eles vão me matar, eles vão me matar’”, afirmou.

Diante da situação, Juliana tentou manter a calma e conversar com o suspeito. Enquanto recuava, pediu diversas vezes para que ele se acalmasse. “Eu comecei a ficar nervosa. Eu tentei falar com ele, falei: ‘Calma, calma, calma’. Fui dando uns passos para trás, ele veio vindo. Falei: ‘Calma, Ney, calma, calma’”, relatou.

A situação mudou quando Anderson ouviu a chegada dos policiais. Segundo Juliana, o barulho fez com que ele se distraísse e olhasse para trás.

Ela aproveitou o momento para correr em direção à residência. “Eu consegui correr. Aproveitei esse momento em que ele se distraiu e olhou para trás, eu me abaixei e saí correndo, consegui entrar dentro da minha casa e ficar em segurança com a minha família. Consegui trancar a porta”, contou.

Após conseguir entrar na residência, Juliana permaneceu em segurança com a família enquanto os policiais atuavam na ocorrência.

Ao relembrar o episódio, a pastora afirmou que vê o desfecho como um livramento de Deus. “Eu vejo que Deus sabe todas as coisas, e dá o livramento. Isso eu pude ver na minha vida, o grande livramento de Deus. Quando tem que livrar, Ele livra. Quando tem que agir, Ele age”, declarou.

Sobre o motivo que teria levado Anderson a agir daquela maneira, Juliana afirmou não compreender o que aconteceu. “Agora, por que ele fez isso, eu acho que está nas mãos de Deus. Ele sabe melhor que todo mundo. Sinceramente, eu não entendo os planos de Deus. Eu só sei que Ele livra e tem as maneiras de trabalhar”, finalizou.

O caso segue sob investigação das autoridades.

Relembre o caso

O caso começou com a morte de Talita Ramos Andrade, de 32 anos, em Artur Nogueira. A ocorrência passou a ser investigada pela Polícia Civil como feminicídio, e o ex-companheiro da vítima, Anderson Sousa Andrade Ramos, de 42 anos, foi apontado como principal suspeito.

Após o crime, Anderson passou a ser procurado pelas forças de segurança. Durante as diligências, o veículo que estaria sendo utilizado por ele foi localizado abandonado, o que ajudou as equipes a avançarem nas buscas pelo suspeito.

Mesmo com o cerco das autoridades, Anderson permaneceu foragido. Na tarde desta segunda-feira (7), ele apareceu na propriedade do pastor Edson Toniolo e da pastora Juliana Toniolo, em Artur Nogueira.

As equipes iniciaram então as buscas na região para localizar Anderson. Pouco depois, ele foi encontrado escondido em um galinheiro, dentro da propriedade.

De acordo com as informações da ocorrência, ao perceber a aproximação dos agentes, Anderson teria iniciado um confronto armado com a Guarda Municipal. Houve troca de tiros e o suspeito foi atingido.

Anderson recebeu atendimento e foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

A ocorrência mobilizou equipes da Guarda Municipal e das forças de segurança. A Polícia Civil continua apurando as circunstâncias da morte de Talita e todos os fatos relacionados ao caso.

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